Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

O sol num dia frio


 Desceu o sol do seu trono,
espreitou o bosque
e espreitou o chão,
por onde pisam os Homens...
e em seus raios de esperança
aqueceu a terra fria,
que se rasgou num sorriso quente!
Partiu na noite
deixando a certeza
de que atrás da noite escura
existe sempre o nascer do sol!


Fernanda Rocha Mesquita

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

A tarde vai a meio




A tarde vai a meio e chove meu amor.
As árvores e as flores deixam-se regar
pelas gotas doces que caiem do céu.
É como quando eu e tu, nos deixamos passear
pelos caminhos onde um oculto esplendor
brilha num olhar que é apenas meu e teu.
A tarde vai a meio e chove meu amor.
Tudo fala de  tranquilidade
onde o amanhã será apenas o amanhã
e o hoje a certeza de que ontem,
um sorriso alheio à dor
se entrelaçou na tua e na minha mão,
falando serenamente de amor!

Fernanda R. Mesquita


Domingo, 15 de Abril de 2012

Cinzento



Ao alcance dos meus olhos,
não vive o mar nem um céu azul,
apenas o cinzento se lembrou de acordar.
Talvez a Primavera brote amanhã.
Até lá, deixemos  que os sentimentos vivam
para que as palavras  não despontem sós
e tenham o poder de levar oceanos
onde eles não existem.
 --
Fernanda M. R. Mesquita
--
foto pessoal, Banff

Sexta-feira, 13 de Abril de 2012

Cálida manhã




Sinto no rosto cálido da manhã
a fina sombra onde se mistura a neve e a chuva.
É como um espelho baço que fala do universo.
Para mim, é como uma fina cortina,
que esconde as flores que ainda não nasceram,
mas que  não demorarão a brotar da terra,
porque na terra as suas sementes esperam calmamente.
A primavera agora silenciosa, em breve chegará
e desnudará esta paisagem cinzenta,
que hoje, limita o meu olhar em tão
curto horizonte.
O vento deve estar cansado.
Hoje não sopra.
Os pingos de chuva quente que vão derretendo
o gelo que cobre a terra,
mostram que debaixo de um chão gelado
vivem segredos poderosos,
que sustentam a vida das pequenas ervas
que já espreitam  meias vestidas de verde.
Amo a sabedoria da vida,
mas lamento os bárbaros projectos do Homem.

Fernanda M. R. Mesquita

Sábado, 31 de Março de 2012

Pensamentos livres



Por vezes sinto–me velha nos pensamentos e nos desejos,  quando sinto que o Homem foge em rituais conquistas materiais, alheio à frágil e nua sombra em que se tornou a palavra Humanidade. Mas a esta ideia triste de me sentir velha, associa–se o meu lado infantil que sem reconhecer o receio, posiciona o sonho em sonhos de espírito livre e sonha com uma luta humana comum; onde todos se distinguem pela intuição em compreender inteligentemente a verdadeira cultura do mundo... o  gosto de ser um verdadeiro Homem.

Fernanda M. R. Mesquita

Foto de Nuno R. Alfama, Jasper, alto das Montanhas Rochosas, Canada

Sexta-feira, 2 de Março de 2012

Aqueles que me rejuvenescem o espírito

Luto para não estagnar entre a vida
e esta sombra que persiste em ocultar o sol
dentro de mim.
Recusando o estado frágil do meu corpo,
fugi da aragem fria da sombra e corri
para os raios  quentes do sol.
E na rua, com os passos acariciados pela neve
inspirei, inspirada pela força que sinto ainda ter,
para algemar as imagens reais que me circundam,
às imagens de todos aqueles que me fazem lutar.
Sem cerimónia expulso a fria sombra,
crio um nevoeiro entre mim e ela
e sorrio ao frescor da esperança,
porque me fortificam a alma e a carne,
aqueles que me rejuvenescem  o espírito...
com o amor e a amizade!

 Fernanda R. Mesquita


Foto pessoal, Edmonton, Canada

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

Ainda que eu durma


*Horas secretas de uma mãe. 
 Para ti Carmen, porque sou mãe e seria assim que eu gostaria que os meus filhos me lembrassem... continuando a viver! Acredito que todas as mães ao partirem sentirão assim, incluindo a tua. Ela adormeceu desejando... que continues!

Ainda que eu durma,
ao entrar nesta face sossegada da vida,
não te esqueças,
mesmo que esta dor te seja  desconhecida,
que não chegou a hora do teu sono,
que não chegou a hora de parares.
Aceitei o sono calmamente,
mas inquieta
com a lembrança dos teus tormentos,
dos teus inquietantes olhares,
dos teus atentos  e inseguros movimentos...
É muito cedo para ti!
Não deixes que a minha vida
seja marcada apenas pelo dia em que nasci
e por aquele em que adormeci.
Deixa que ela seja a continuação
dos teus futuros instantes,
dos teus  alegres horizontes,
para que não se torne em vão
tudo o que tentei ensinar-te.
Lembra-me com um sorriso,
fala de mim com um sorriso
para que a lembrança de mim
não se torne um sorriso cansado.
Apenas nos separa uma floresta,
um enorme albergue, pleno de sussuros
que lembram até o gesto mais simples
vivido entre nós.
Não chores na saudade.
Sente o estalar dos teus passos
nas folhas secas que despiram as árvores,
mas que ainda assim não caíram.
Quando a noite chegar antes do tempo,
encosta os teus sentidos
à música cristalina de uma fonte
que não morre por cair no leito do rio
e o rio não morre por desaguar no mar
ou por alimentar as florestas.
Tudo se completa no movimento do tempo,
mesmo nas horas que nos parecem tristes e diferentes.
Vive e deixarás que eu continue a viver
na lembrança de tudo aquilo que eu amei!
Esta hora apenas deve ser para ti...
uma hora diferente!


Fernanda R. Mesquita




foto pessoal Pyramide Lake,